sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Um suspiro de poesia

Esta semana, posso dizer que houve poesia. Poesia proporcionada pelo 8º Ferverestival – Festival Internacional de Teatro de Campinas. Realizado com muita luta por quem gosta e vive teatro - e com a ajuda de apoiadores (26, como sempre enfatizavam as organizadoras antes de cada apresentação) - grupos de Campinas, de outros Estados e de fora do país proporcionaram ao público de Campinas - apesar dos pesares, carente em arte - um suspiro de poesia. Como não assisti a todas as apresentações, não posso me atrever a fazer uma análise global. Mas posso dizer das coisas que vi.

Meninas, corram! Lotou o simpático e acolhedor Teatro do Sesc, mas decepcionou. Tinha tudo, mas falhou. Falou no texto, na direção de atores (apesar de ser um monólogo) e na expressão cênica. Falhou, sobretudo por ser pretensiosa. O espetáculo com um tema atual e muito explorado comercialmente (a luta - e loucura! - das mulheres para manter os diversos papéis exigidos pela sociedade: mãe, mulher, profissional, amante e tantos outros), tinha um público interessado e aberto a seu dispor. Um público a fim de ver novidade e de se encantar diante da arte. Mas o que se viu, durante e depois do espetáculo, foi uma pontinha de vergonha alheia. Entendem quando digo isso, não? Hahahaha
Enfim, apesar de tudo, a peça trouxe uma trilha sonora que, ao mesmo tempo, envolvia e dava (tentava dar...) dinamismo para a cena. Cheia de símbolos e com a pretensão de ser 'cult' demais, a peça perdeu seu brilho e desperdiçou um público cheio de boa vontade.

Já ontem, vivi uma das experiências mais gostosas como espectadora. Chegamos ao Espaço Cultural Semente, em Barão Geraldo, mais de meia hora antes de o espetáculo “Cravo, Lírio e Rosa” começar. Mas já não havia mais ingressos. Entramos na fila de espera. Mais de 40 minutos depois, tive a sorte (olha a raridade!) de ser a antepenúltima pessoa a ser chamada! Enfim, ingresso na mão e parti pra dentro. Um espaço de gente de teatro. Com cara e cheiro de teatro. Aí, já gostei!
Apesar de a plateia ser um pouquinho desconfortável (afinal, depois de esperar, em pé, durante 40 minutos, acho que precisava de um lugarzinho mais acolchoado pra sentar...). Tudo foi bonito: a criação daquela dupla de palhaços 'clownescos', o roteiro e o improviso, os artifícios cênicos e o jogo, em si, deixaram brilhando os olhos daqueles que nem precisavam entender a complexidade daquela criação para apreciar a boa arte. A dupla funcionava muito bem. Claramente inspirados no modelo de “O Gordo e o Magro”, o espetáculo deu um pouco de ternura a quem tinha perdido e renovou as esperanças de que é possível viver com poesia.
Ao final, as organizadoras fizeram um agradecimento emocionado.
Aplauso, de pé, por um longo tempo. Com a infinitude que dura a poesia.

*Cravo, Lírio e Rosa” homenageou os 25 anos do Lume.
*Meninas, corram! É uma montagem do grupo Nu Miollo, da Bahia.


O 8ºFeverestival começou no dia 31 de janeiro e termina dia 12 de fevereiro.

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